Os cinco R(s) na formação de liderança.
Este é o caminho que praticamente todos os líderes passaram ou passarão em sua formação. Os cinco R(s) têm mais haver com a emoção, os sentimento e o estado da alma em que os líderes se encontram. Têm haver com as dificuldades no campo das idéias e da emoção, lembrando que tudo começa na nossa mente e coração, Provérbios 23:7 Porque, como imagina em sua alma, assim ele é. Pesquisa feita por profissionais de psicologia nos EUA mostra que 80% de nossas decisões são em função dos sentimentos, da vontade, da emoção e não na lógica. Isto justifica a resposta dada por muitos quando perguntados; porque você fez isto? Dizem: Deu-me vontade de fazer isto! Ou dizem; eu gosto de fazer isto! Ou ainda: eu me sinto bem quando faço isto! Poucos explicam logicamente os porquês de suas decisões e escolhas. Sabendo disto, vamos acompanhar como se comporta a alma (emoção, razão, vontade) de uma pessoa enquanto a formação de liderança acontece em sua vida:
1- Romance. Lc 22:33-34 Ele, porém, respondeu: Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte, (este é o estágio em que Pedro estava, ainda não havia passado por dificuldades no ministério, ele estava muito animado, mas logo a seguir na primeira dificuldade negou a sua relação com seu discipulador. Este é o momento inicial na liderança, é como a lua de mel no casamento. A relação do líder com o liderado é muito boa, o discípulo vê o discipulador como se fosse perfeito, assemelhasse a relação pai e filho quando o filho é pequeno e tem o pai como herói, o discípulo confia muito no discipulador, é tudo novidade. Neste estágio o sentimento que rege o discípulo é bom e ele é responsável pelo romance e lua de mel. È preciso aproveitar este momento e investir o máximo no filho espiritual já que ele está muito receptivo, é hora de dar direção, esclarecer a meta que deve ser atingida, ensiná-lo e treiná-lo, direcioná-lo para cumprir o propósito. É um bom momento para se estabelecer alianças e compromissos mútuos. Neste momento também é importante colocar os pés dele no chão, falar sobre o preço da liderança. É crucial alertá-lo sobre os próximos estágios que certamente chegarão e ele precisa administra-los bem para não por tudo a perder. Jesus fez isto quando dizia; João 15:20.... Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós...
2- Realidade. Mt 17:16, 19-20 Apresentei-o a teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo. Então, os discípulos, aproximando-se de Jesus, perguntaram em particular: Por que motivo não pudemos nós expulsá-lo? E ele lhes respondeu: Por causa da pequenez da vossa fé. Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível, (aqui os discípulos começaram a cair na real de que teria que se pagar um preço de jejum e oração para o resultado vir. Neste estágio o discípulo começa a cair na real de que nem tudo é um mar de rosas. Começa se deparar com dificuldades com as quais não estava acostumado a lidar. Ele convida as pessoas para irem à célula, elas não vão, ele dá algumas cabeçadas, começa a fraquejar, fica inseguro. Apesar de ter boa vontade lhe falta experiência e maturidade. Começa se perguntar sobre a sua capacidade de liderança; será que eu consigo? Acho que não sou capaz! Estou fracassando. Este é um momento de afirmar o líder em treinamento, ele precisa de afirmação, precisa que seu pai espiritual venha e lhe bata nas costas e diga: você consegue! Eu também passei por isto e venci. Este é o momento de ministrar confiança, mostrar que você confia nele, que Deus confia nele e que ele mesmo deve confiar que conseguirá.
3- Resistência. 2 Coríntios 10:10 As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca, e a palavra, desprezível, (esta passagem mostra os filhos de Paulo em Corinto resistindo sua liderança o que caracterizou-os como bebês espirituais 1Co 3:2). Neste estágio o discípulo chega no fundo do poço em suas emoções na relação com seu pai espiritual e chega as vezes ser rebelde. Esta fase parece-se com a relação do adolescente com seu pai. Se na infância a criança vê o pai como herói e deseja ser exatamente como ele é, na adolescência o pai é careta, tá por fora e o filho tem resistência em ser como o pai. Na infância a criança não vê os problemas dos pais, já na adolescência decepciona-se por ver algumas imperfeições naquele que outrora era seu herói. Assim também é na relação de discipulado. O discípulo começa a descobrir que seu líder não é tão perfeito, decepciona-se quando fica ciente das suas fraquezas. Isto afeta a confiabilidade no líder e a confiabilidade afeta a relação a tal ponto em que as vezes fica muito pesada esta relação, talvez até com acusações por parte do discípulo. È quase o oposto do tempo do romance. O tempo de permanência neste estágio varia de pessoa para pessoa e depende muito de como o discipulador o preparou para este momento desde os estágios anteriores. O quanto usamos o estágio do romance a favor da boa formação determinará o tempo e a profundidade em que o discípulo interagirá neste estágio. É bom ter empatia com o discípulo que passa por esta fase, mostrar que ele não esta usando alguns princípios daquilo que aprendeu no período do romance. Resistência é o tempo de caos na vida do discípulo. O caos é um momento de decisão onde o discípulo reage adequadamente e encara os desafios confiando na estrutura e em sua liderança, ou ele fica enterrado no caos e não sai de lá. Quando o discípulo estiver neste estágio é importante interceder e orar por ele, mas também é preciso conversar cara a cara, de homem para homem, ser sincero e transparente. Como o pai não joga o filho fora por passar por alguns conflitos na adolescência, assim também não se joga fora facilmente o discípulo, mas a passagem por este estágio não pode se demorar muito, não podemos ficar com discípulos eternamente resistentes e rebeldes. Se o discípulo não sair desta fase por vários meses então deve-se levá-lo a tomar uma decisão sobre a relação de discipulado. Ele deve se esforçar para sair, pois o diabo quer que todos fiquem nesta posição, é a posição dele em relação a Deus, posição de rebelião. Pode chegar ao ponto em que a relação deve se desfazer se não saírem deste estágio, porque isto prejudica os outros discípulos que já estão nos próximos estágios. No período do romance é hora do discípulo receber muita informação e princípios e agora neste estágio é a hora de aplica-los, PRATICAR.
4- Resolução. É o momento em que se retoma o caminho. É prática acertada daquilo que estava errado no estágio anterior. No estágio anterior o discípulo procurava respostas, relutava com certas coisas e tateava buscando possíveis soluções à suas crises. Neste estágio ele encontrou as respostas juntamente com seu discipulador. Aqui ele já passou pelo fogo da provação (realidade e resistência), Filipenses 4:12 Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez. Paulo através da provação se tornou um homem experiente. É muito perigosos dar responsabilidades mais sérias à líderes que não chegaram neste estágio ainda. Agora é hora de amadurecer o relacionamento de discipulado. Neste estágio o discípulo está pronto para gerar, pronto para assumir compromissos mais fortes. Agora ele é digno de confiança e pode-se confiar grandes coisas à ele. É tempo de libera-lo para ser um grande líder, pode-se colocá-lo na fogueira, pois ele está maduro.
5- Recompensa. Salmos 58:11 Então, se dirá: Na verdade, há recompensa para o justo; há um Deus, com efeito, que julga na terra. É hora de ver o fruto do penoso trabalho. Agora os dois se tornam parceiros no Reino de Deus apesar da paternidade continuar. Comparando com a relação pai e filho, seria o momento em que o filho está bem consciente, talvez já casou e é uma pessoa responsável, mesmo que a filiação continue, o pai não precisa ficar o tempo todo dizendo o que tem de se fazer, pois o filho já tem maturidade. Os dois continuam sendo pai e filho e quando precisar o pai vai exercer sua autoridade e sabedoria para o melhor de seu filho, mas eles têm uma parceria muito forte agora. São trabalhadores do Reino de Deus, amadurecidos pelo discipulado bíblico, Hebreus 5:14 Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal.
Ricardo Wagner, apóstolo, & Vanderlei Cardoso, pastor


