Estudos da Célula

O SERVO DA ORELHA FURADA

13 de fevereiro de 2020 7 MIN DE LEITURA

 O Servo da Orelha Furada (Ricardo Wagner, ap.)

"Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te tirou do Egito, da terra da escravidão." (Ex 20:2)

Até pouco tempo atrás, a escravidão era uma prática normal na humanidade. Praticamente todos os povos da história tiveram esta prática. Antes mesmo do Brasil ser descoberto, os índios que aqui habitavam tinham seus escravos. Quando os portugueses chegaram, fizeram os próprios índios escravos e posteriormente traficaram uma multidão de escravos da África. O tráfico foi oficialmente abolido em 1850, com a Lei Eusébio de Queirós. Mais adiante, em 1871, a Lei do Ventre Livre garantiu a liberdade aos filhos de escravos; e, em 1879, teve início a campanha abolicionista liderada por intelectuais e políticos. Mais adiante, a Lei dos Sexagenários (1885) garantia a liberdade aos escravos maiores de 60 anos. Por fim, a abolição da escravidão no país aconteceu pela Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, dia 13 de maio de 1888.

Em Israel também haviam escravos, mas de uma forma muito diferente. Em outros povos, escravos não tinham nenhuma proteção. Mas os escravos em Israel tinham direitos e deveriam ser tratados com dignidade. As leis sobre escravos em Israel eram radicais e progressistas. Em Israel nenhum escravo podia ser castigado com danos físicos (Ex 21:26-27). Escravos em Israel tinham direito a folga no sábado e nas festas religiosas, assim como pessoas livres.

Em Israel não havia tráfico de escravos. Quem praticasse isto era punido de morte (Ex 21:16). O principal motivo de alguém tornar-se escravo era por dívida. Quando alguém não conseguisse pagar, poderia vender seu trabalho, tornando-se escravo de outra pessoa até quitar a dívida.

Diferentemente do resto do mundo, onde praticamente era impossível alguém sendo escravo comprar sua liberdade, em Israel ninguém era escravo por mais de 6 anos. Quando se completavam seis anos todos escravos teriam que ser livres (Ex 21:2) e quando fosse libertado, o dono do escravo deveria lhe dar sustento para o ajudar a começar a viver em liberdade (Dt 15:12-14). Em Israel, a única forma de alguém ser escravo por toda vida era voluntariamente. Estes eram conhecidos como “servos da orelha furada” (servo e escravo em hebraico é a mesma palavra):

Ex 21:5-6 – “5 O escravo, contudo, poderá declarar: ‘Amo meu senhor, minha esposa e meus filhos. Não desejo ser liberto’. 6 Nesse caso, seu senhor o apresentará aos juízes. Em seguida, (o senhor) o levará até a porta ou até o batente da porta e furará a orelha dele com um furador. Depois disso, o escravo servirá a seu senhor pelo resto da vida.”

Desta prática surge a palavra Hebraica servo, que literalmente significa: "experiência na porta da casa"1. Esta também é a raiz da palavra adoração. Para os israelitas servir é adorar. Então, quando Deus chama alguém de servo, é porque esta pessoa voluntariamente e de bom grado assim se fez (Abraão - Gn 26:24, Moisés - Nm 12:7, Davi - II Sm 3:18).

1 No Hebraico, os pictogramas originais para a palavra servo/escravo (eved) são . O é uma image_path de um olho que significa ver ou experimentar, é uma image_path de uma casa e é uma image_path de uma porta. Quando esses três significados de cada letra são combinados, eles definem a palavra como "experiência na porta da casa"

PERGUNTAS: O que o “servo da orelha furada” simboliza para nós nos dias de hoje? Quem são estes servos/escravos hoje?

Uma vez que recebemos Jesus em nossas vidas, começamos a fazer parte de um corpo, o corpo de Cristo. I Co 12:27 diz: “Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo.” Assim como no corpo, cada membro da igreja tem sua função. Os olhos tem a função de ver. O coração tem a função de bombar sangue para todo corpo. O cérebro tem a função de pensar. E assim por diante. A mesma coisa na igreja. Todos os membros tem sua função. Se alguém deixar de fazer deliberadamente seu trabalho, todo corpo vai sofrer. Imagine se os pulmões decidissem não mais respirar. Todo corpo padeceria. Ou os rins deixassem de filtrar o sangue. Ficaríamos rapidamente doentes. Por isto todos devemos voluntariamente nos fazer servos sem retroceder (Lc 9:62). A Palavra de Deus nos alerta:

Cl 4:17 – “Atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para o cumprires.”

I Pe 4:10 – “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros ...”

Deus nos chama para servirmos a Ele de coração, e quando estamos trabalhando na sua obra, estamos servindo a Ele: “Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens” (Cl 3:23). Servir a Deus é um presente que Deus nos concede (Nm 18:7). Cada vez que estamos trabalhando em nossa função estamos adorando a Deus. E vale a pena. Deus diz em Rm 4:4: “Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida.” Desta forma, Deus mesmo se compromete conosco dizendo que ao servi-lo Ele nos pagará pelo nosso trabalho. E mais ainda, Deus não fica devendo nada para ninguém! E paga um bom salário!!! I Co 3:8 diz: “cada um receberá o seu galardão (recompensa/salário), segundo o seu próprio trabalho.”

PERGUNTAS: Cada pessoa tem uma função no corpo de Cristo (na igreja). Qual sua função/serviço/trabalho neste corpo? Você tem exercido esta função? Você se considera um “servo da orelha furada” para Deus? Ou o serviço é eventual?

Reunião da Célula

1. Encontro

a. Enquanto as pessoas forem chegando, você pode deixar uma música de fundo rodando no ambiente. Isto ajuda a preparar o ambiente para célula e deixa mais descontraído.

b. Nunca deixe de dar muita atenção para os novos na célula. Eles precisam se sentir especiais (como realmente são).

c. Peça para as pessoas que trouxeram os visitantes, apresentarem estas pessoas. Receba a todos com muita expectativa e amor.

d. Quebra Gelo. Pergunta: Você já foi ou é empregado? Tem ou teve um negócio próprio? O que prefere?

2. Exaltação

a. Se houver possibilidade, cante dois cânticos bem alegres. Se não há que toque um instrumento, seria interessante que se tenha um aparelho de som e se colocasse uma música pré-selecionada que todos possam cantar juntos. Pode ser até um celular.

b. A presença de Deus é que faz com que as pessoas sejam transformadas na célula. Então valorize este momento para todos entenderem que sobretudo a presença de Deus deve ser valorizada e desejada.

c. Ore pelo andamento da célula e por cada pessoa!

3. Edificação

a. Muitas pessoas ao virem para igreja pensam que podem ser parte do corpo, sem fazerem sua parte, seu serviço. A Palavra nos ensina que todos devem trabalhar conforme o dom que receberam. E isto deve ser feito não como obrigação, mas por livre decisão. Deus nunca nos obriga a nada. Ele pede que nós decidimos voluntariamente nos fazer servos.

b. O objetivo primordial desta ministração é despertar cada membro de nossa célula a encontrar seu lugar e exercer sua função no corpo de Cristo.

4. Evangelismo

a. Se houver maturidade entre os mebros da célula, reúna-os de dois em dois para orarem um pelo outro para que encontrem sua posição no corpo e exerçam sua função.

b. Ore sempre pelas necessidades das pessoas (pode fazer uso da cadeira da bênção para esta oração).

c. Aproveite para levar as pessoas que ainda não conhecem a Jesus a se entregarem a ele.

d. Ore pelas pessoas que estão na lista de oração. Faça algo criativo para as pessoas sentirem verdadeiramente que esta lista é muito importante.

e. Dê os avisos necessários.

f. Orem pela liderança da sua igreja e da Rede Apostólica.

g. NUNCA deixe de compartilhar os objetivos da célula, discutir como estão avançando nestes objetivos, estabelecer estratégias e orar por eles. Faça SEMPRE isto.

h. Não esqueça de fazer mensalmente a REUNIÃO FESTIVA para facilitar trazer novas pessoas para a célula.

Observação: Todas as pessoas da célula são importantes. Analise qual o “dom” de cada um e distribua as funções e trabalhos a cada um conforme a necessidade da célula. Envolva e mobilize todas pessoas. A coisa mais motivadora para as pessoas é o propósito através de uma tarefa. Não deixe ninguém se ter uma tarefa focada num propósito muito específico e objetivo.

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