Que o grande despertamento dos últimos tempos é iminente não existe dúvidas. A grande colheita determinada para esta época só poderá acontecer em meio a um mover grandioso e sobrenatural de Deus.
Apesar de muitos estarem alardeando sobre estas coisas, tenho ousadia de dizer que apesar de crerem num grande despertamento espiritual, anunciarem isto e chegarem a ver isto, não participarão deste grande avivamento.
Quero usar o exemplo da vida de João Batista para alicerçar minha afirmação.
Em meu entender, João Batista foi a pessoa de maior convicção em relação a Jesus ser o messias, o Filho de Deus. Talvez apenas a mãe de Jesus, Maria, tivesse tanta convicção desta realidade, quanto João Batista.
Vejamos sua história:
1. João Batista foi escolhido por Deus desde antes de sua concepção para ser o precursor de Jesus (Lc 1:15-17, Jo 3:28).
2. A pregação de João Batista era de que o Reino de Deus estava próximo e ele havia sido enviado para preparar a chegada deste Reino (Mt 3:1-3).
3. João Batista insistia que viria um após ele, que era mais poderoso que ele (Mt 3:11).
4. A convicção de João Batista era tal que ele se recusou a batizar Jesus, dizendo que era Jesus quem deveria batizá-lo (Mt 3:14).
5. Deus, o Pai, havia dito a João Batista que aquele sobre quem ele visse o Espírito descer, este era o Filho de Deus. João Batista viu o Espírito Santo descer em forma de pomba sobre Jesus e afirmou que Jesus era de fato o Filho de Deus (Jo 1:32-34).
6. João Batista apontou para Jesus dizendo a seus discípulos que ele, Jesus, era o Cordeiro de Deus. Por isso alguns de seus discípulos seguiram a Jesus (Jo 1:35-37).
7. João Batista afirmava sua satisfação por Jesus ter se manifestado e afirmava que Jesus deveria crescer e ele diminuir (Jo 3:22-30).
Através destes relatos percebemos que João Batista não apenas tinha sido escolhido para anunciar a vinda de Jesus, onde o Reino de Deus seria estabelecido, como também ele verdadeiramente cria e fazia-se notória sua posição referente ao novo tempo de Deus que estava para vir sobre a terra por intermédio de Jesus.
Algum tempo depois, João Batista foi preso (Lc 3:20) e uma mudança repentina aconteceu em relação a sua convicção de que Jesus era o Filho de Deus. Percebemos isto pois \"quando João ouviu, no cárcere, falar das obras de Cristo, mandou por seus discípulos perguntar-lhe: És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?\" (Mt 11:2-3). Alguma coisa que João Batista ouviu sobre as obras de Jesus causou-lhe dúvidas em seu coração com respeito a verdadeira identidade de Jesus.
Depois dos discípulos de João terem ido até Jesus com este questionamento, Jesus falou sobre esta questão dizendo:
\"Pois veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Tem demônio! Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! Mas a sabedoria é justificada por suas obras.\" (Mt 11:18-19)
João Batista veio com uma mensagem forte de arrependimento e separação deste mundo, enquanto Jesus se misturou com o povo e vivia com pecadores anunciando e manifestando o evangelho do Reino.
João Batista tinha um padrão mental de comportamento que colidiu frontalmente com aquilo que Jesus fazia. Sem dúvida nenhuma, quando João Batista ouviu sobre como Jesus vivia, isto lhe causou um desconforto e gerou-lhe dúvidas no coração uma vez que a forma de Jesus atuar era completamente diferente do padrão de João Batista.
Apesar de João Batista crer firmemente e anunciar a vinda de Jesus, ele não conseguiu entender o novo paradigma que Jesus havia estabelecido e chegou a duvidar que Jesus era o Filho de Deus. Foi ele quem anunciou Jesus, mas praticamente não participou deste novo tempo, pois não conseguiu se alinhar com aqueles novos conceitos trazidos por Jesus.
Quantos estão esperando ansiosamente por este novo tempo que está por vir, mas não o experimentarão, porque será muito diferente daquilo que estão vivendo hoje e não conseguirão transicionar para as coisas desta nova unção. O tempo chegará e eles não experimentarão.
Quem não estiver disposto a mudar e entrar num modelo completamente bíblico, deixando de lado tradições e costumes religiosos e eclesiásticos, imaginando que não é necessário mudar para experimentar o grande avivamento dos últimos tempos, verá ele acontecer ao seu redor, mas não participará dele.
Ricardo Wagner, apóstolo


