Texto Base:
"Iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos." (Ef 1:18)Introdução
O meio em que vivemos molda nossa maneira de pensar. Pensamos conforme aprendemos a pensar. Nossos padrões em como as coisas são e devem acontecer é estabelecido pelo ambiente que vivemos. Por exemplo. Para nós ocidentais é muito difícil pensar em ir para o mercado e entrar no setor de animais vivos e comprar uma cobra viva para fazer de almoço ao meio dia. Porém, para os chineses isto é uma coisa extremamente normal. Outro exemplo: Para nós alguém arrotar alto depois do almoço em um restaurante seria uma tremenda falta de educação, mas para os indianos isto significa que a pessoa gostou muito da refeição e está agradecida.
O meio que vivemos determina como aceitamos as coisas. Determina o que é certo ou o que é errado. O que é bom ou o que é ruim. O que é aceitável ou o que não é recomendado. Mais um exemplo. Os islamitas muçulmanos se sentem completamente a vontade em matar sua esposa se esta for infiel. Para eles não há problema algum em fazer isto. Na verdade eles entendem que isto faz com que haja ordem e respeito em sua sociedade.
Muitas vezes não compreendemos as coisas do céu, porque a nossa cultura nos ensinou de uma forma diferente. Precisamos entender novos conceitos para podermos desfrutar das coisas lá do céu.
1. A cultura do capitalismo nos ensinou a competir e receber as coisas por capacidade ou mérito.
Segundo a cultura que fomos educados somente os melhores, somente os bons, somente os mais espertos, os mais inteligentes, somente aqueles que tem o melhor treinamento, ou que são mais estudados, prosperarão e serão os vencedores. Nossa cultura determina que os melhores são os vencedores. Os que ganham a glória são os vencedores e os vencedores são os melhores.
Isto faz com que algumas pessoas menos favorecidas se acomodem em sua insignificância e permaneçam vivendo num sentimento de derrota. Diante de tanta competição e concorrência, alguns desistem de lutar, pois a vitória tem um preço tão alto que muitos nem sequer se animam a entrar na luta.
Outros pelo sentimento de incapacidade, pela falta de recursos ou pelas limitações naturalmente impostas, se sentem incapazes e se amedrontam, não acreditando que alcançarão o sucesso.
A cultura que vivemos diz que o vencedor ou aquele que é colocado em posição de honra, chegou a esta posição por esforço, por mérito ou por capacidade. Somente aqueles que mais se esforçam, os mais capazes, que mais se dedicam podem alcançar o êxito. Isto é o que a cultura que vivemos determina.
2. O Reino de Deus e a herança
Quando alguém vem a Jesus normalmente o mesmo pensamento é aplicado para receber algo de Deus e seja bem sucedido na fé. O pensamento é que eu devo me esforçar muito ou ter características superiores, ser o melhor, o mais habilidoso ou ser alguém especial para receber algo de Deus. Muitas pessoas, não se sentindo nestas condições não se percebem dignos de receber as promessas de Deus. Pensam que para alcançar algo dos céus é necessário que se faça algo meritório, ou seja, que se torne digno das bênçãos de Deus. O mérito é algo que eu faço e que me torne digno. Sem que essa pessoa tenha muitas condições ou tenha capacidades ou habilidades de fazer muitas e grandes coisas, esta pessoa pensa que não pode alcançar os milagres de Deus.
Porém, não é assim que Deus pensa. A forma de pensar dos céus é diferente. Nos céus os vencedores não são os melhores. Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios. O vencedor diante de Deus é aquele que faz a vontade de Deus (Ap 2:26). Aquele que faz a vontade de Deus é que entrará no Reino dos Céus. Ou seja, aquele que faz a vontade de Deus é que é seu filho. Todo filho recebe as coisas de seu pai não por mérito. O filho não precisa se esforçar para receber as coisas de seu pai. Ele simplesmente recebe porque é filho.
3. Somos reis por herança
Deus é Rei e seus filhos, também são reis. A própria Bíblia diz que somos reis (Ap 1:6). Uma pessoa não se torna rei por mérito. Os reis são reis porque tem sangue real. Reis são reis porque são filhos de reis. Um rapaz pode não ter muitos dotes, pode não ter muitas habilidades, pode não ser muito inteligente, mas se ele é filho de um rei ele também é um rei. Reis são reis por herança e não por mérito ou capacidade.
Por isso quem entender sua posição como filho de Deus, entende também que é filho do grande Rei. Automaticamente, por herança, também é rei. A força de um rei não está no próprio rei ou em sua capacidade. A força de um rei está na estrutura do reino que o cerca. Um rei é forte porque seu reino é forte. O rei pode até ser fraco pessoalmente, mas se seu reino for forte ele também será forte. Por isso o fraco pode dizer: Eu sou forte.
Quando compreendemos isto entendemos que somos fortes não porque temos capacidade, não porque somos inteligentes, não porque fizemos algo para receber este título. Somos fortes porque temos a estrutura do Reino de Deus atrás de nós que nos confere esta força. Somos reis porque somos filhos de Deus e não porque temos algum mérito. Se nos deslocarmos em fazer as coisas que estabelecem o Reino de Deus aqui na terra, toda a estrutura celestial, toda estrutura do Reino de Deus estará lutando a nosso favor. Podemos avançar com intrepidez e conquistaremos coisas que pelas nossas próprias forças seria impossível que fossem alcançadas. Avançaremos na força do reino e não na nossa própria força. Por isso nossa confiança não está em nós mesmos, mas em nosso Deus que nos faz fortes.
Ricardo Wagner, apóstolo


