Estudos da Célula

COMO SER FORTE MESMO SENDO FRACO

03 de novembro de 2023 4 MIN DE LEITURA

Como Ser Forte Mesmo Sendo Fraco (Ricardo Wagner, ap.)

Se analisarmos o cristianismo no seu início, poderíamos dizer que não havia praticamente nenhuma chance dos seus conceitos desenvolverem e alcançarem qualquer expressão na humanidade. Vejamos:

1. Jesus nasceu na cidade de Belém Durantes séculos, a vila de Belém consistia principalmente de um aglomerado de casas, acessadas por uma estrada de terra, que se ramificava do Caminho dos Patriarcas.

Era uma cidade fundamentalmente habitada por agricultores e pecuaristas em função das colinas ao redor de Belém, e seus campos adjacentes, que forneciam terras férteis para a colheita de trigo e cevada (Rt 1:22; 2:1-3, 4:11), o que provavelmente deu à vila seu nome em hebraico, “Casa de Pão”. Esta pequena vila não tinha qualquer relevância no cenário político cultural na época do nascimento de Jesus.

2. Jesus viveu sua juventude na cidade de Nazaré, por isto foi chamado de nazareno.

Mt 2:23 – “E foi habitar numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito por intermédio dos profetas: Ele será chamado Nazareno.” A cidade de Nazaré era uma vila insignificante e sem importância na Galiléia, um tanto quanto desprezada nos tempos de Jesus. Quando Filipe encontrou Natanael e lhe falou de Jesus, o Nazareno, Natanael respondeu: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?” (Jo 1:46b).

A má fama de Nazaré se dava em função da localização da cidade, porque ela era pouso obrigatório das caravanas que vinham de Damasco, ou de Jerusalém, o que trazia para a cidade gente de toda espécie e tornava Nazaré mal frequentada, além de atrair todo tipo de ofícios e albergues para servir os caravaneiros (prostituição).

Além disso, Nazaré ficava bem no centro da Galileia que também era uma região desprezada da Galileia, por ser habitada por camponeses sem estudos, uma mistura de raças como os sírios, fenícios, babilônicos e gregos e pouco fiéis às leis judaicas.

Nazaré tinha tudo para ser desprezada pelos judeus, sobretudo os mais ortodoxos. Nazaré nem sequer é mencionada no Velho Testamento ou nos escritos do historiador Flávio Josefo ou de qualquer outro rabino judeu. Arqueólogos estimaram que a população de Nazaré na época de Cristo era de aproximadamente 1.600 a 2.000 pessoas.

3. Jesus exerceu seu ministério em Cafarnaum, na Galiléia, de onde também eram seus discípulos. Com exceção de Judas Iscariotes, os demais apóstolos que formavam o grupo de Jesus eram galileus, sendo que Pedro (consequentemente os demais apóstolos, e até mesmo o próprio Jesus) foram chamados explicitamente de galileus.

Mt 26:69 – “Ora, estava Pedro assentado fora no pátio; e, aproximando-se uma criada, lhe disse: Também tu estavas com Jesus, o galileu.”

Mc 14:70 – “Mas ele outra vez o negou. E, pouco depois, os que ali estavam disseram a Pedro: Verdadeiramente, és um deles, porque também tu és galileu.”

Pela sua história, na época de Jesus, a Galiléia era habitada por uma mistura de judeus e gentios. Sua população havia se tornado predominantemente habitada por povos de outras nações misturados com os judeus. Essa característica foi observada pelo profeta Isaías que chamou aquela região de “Galiléia dos gentios” (Is 9:1).

Por este motivo, dentre muitos outros, os galileus eram desprezados pelos judeus. Os galileus eram um povo simples (e, em alguns casos, um tanto quanto incultos), bem como suas práticas religiosas também eram mais simples, ou seja, eles não estudavam a Lei com a mesma profundidade com que os judeus a estudavam.

Assim, os fariseus usavam a designação “galileu” como um tipo de censura e desprezo. Isto é o que podemos notar claramente no Evangelho de João, onde lemos o registro das pessoas que mostravam certo preconceito para com os galileus, entendendo que não seria possível que um profeta viesse desta região.

Jo 7:41 – “outros diziam: Ele é o Cristo; outros, porém, perguntavam: Porventura, o Cristo virá da Galiléia?”

4. Jesus morreu em uma cruz A pena de morte que Jesus recebeu (apesar de não ter cometido nenhum crime), foi maximizada pela forma que esta pena foi aplicada: a crucificação.

“Das três formas mais brutais de executar alguém na antiguidade, a crucificação era considerada a pior”, disse Louise Cilliers, autora e pesquisadora, “depois vinham a morte na fogueira e a decapitação.”

O político e filósofo romano Cícero considerava a crucificação a punição "mais cruel e aterrorizante" que poderia existir. O castigo da crucificação buscava “expor e humilhar” o condenado. “Era uma morte reservada aos piores inimigos para deixar claro que não queriam ver ninguém cometendo o mesmo crime”, segundo Pérez.

Perez também escreveu: “Combinar a pena de morte com o escárnio do condenado e uma morte cruel era frequente, e uma das técnicas, era deixálo pendurado em um pedaço de madeira para que morresse de asfixia e cansaço”.

Em suma, morrer condenado numa cruz era na época a forma mais humilhante, degradante, sofrida e horrenda que alguém poderia sofrer.

PERGUNTAS: Assim como Jesus, seus discípulos não tinham qualquer peso no contexto social e político da época (Leia I Co 1:26-29)e com base nos versos Rm 15:18-19, I Co 2:4-5, I Ts 1:5 (leia estes versículos), como foi que o evangelho produziu tanta influência na humanidade? E como podemos hoje ter a mesma influência que a igreja primitiva teve?

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