A NOSSA MISSÃO APOSTÓLICA (Ricardo Wagner, ap.)
No período de 40 dias entre Jesus ter ressuscitado e subir aos céus (At 1:3) ele esteve um bom tempo com os discípulos. Neste período “os que estavam reunidos lhe perguntaram: Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (At 1:6).
Pela pergunta que fizeram, percebe-se que eles estavam focados na visão escatológica geopolítica sionista que eles possuíam. Eles não queriam ser mais uma minoria oprimida e que de alguma forma sofria pelo evangelho.
A esta pergunta Jesus respondeu:
At 1:7-8 – “ 7 Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade; 8 mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.”
Jesus percebeu que eles estavam desconcentrados de sua missão principal para o qual ele havia os comissionado. Eles ainda estavam discutindo sobre a situação de primazia de Israel sobre outras nações enquanto deveriam se concentrar na grande comissão que Jesus lhes havia dado:
Mt 28:18-20 – “18 Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. 19 Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinandoos a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.”
Jesus fê-los voltar os olhos novamente para sua primeira e principal missão. Inclusive disse que o poder que receberiam estava ligado diretamente com a missão de levar o evangelho por todo mundo.
O poder não seria dado para promover seus discípulos, mas para que pudessem com efetividade ser testemunhas até os confins da terra.
Este texto nos desafia, pois nos mostra que antes de tudo a igreja precisa ser missional (ter o senso que existe com a missão de levar o evangelho a toda criatura).
Cada discípulo necessariamente precisa ter o senso de ser enviado, com a missão de levar as boas novas do Reino por toda terra. Para esta missão fomos capacitados pelo Espírito Santo assim como Jesus foi.
At 10:38 – “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele.”
No grego existem 2 verbos que foram traduzidos como “enviar” para o português.
A primeira palavra grega para enviar é “pempo” (usada 80 vezes no NT) e a segunda é "apostello” (usada 129 vezes no NT). Estas palavras são sinônimas, mas com uma pequena diferença.
A diferença entre “pempo” e “apostello” é que “apostello” fala em nomear alguém para uma missão e dotá-lo da autoridade necessária, enquanto que o verbo “pempo” enfatiza direcionar alguém ou algo para algum outro lugar, por qualquer motivo e não necessariamente em boas condições.
Nós fomos enviados por Jesus apostolicamente, ou seja, com a autoridade e condições e recursos necessários de poder para cumprirmos a missão.
Jo 17:18 – “Assim como tu me enviaste (apostello) ao mundo, também eu os enviei (apostello) ao mundo.”
Todo evangelho gira em torno de levarmos as boas novas para todas as pessoas.
Esta é a primeira e principal missão que temos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” (Mc 16:15). Por isto que, quem não está focado nesta missão, está fora do projeto principal de Deus.
Jesus mostra este conceito na parábola da Videira e dos Ramos.
Jo 15:1-6 – “1 Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. 2 Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda. 3 Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado; 4 permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. 5 Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6 Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam.”
O processo de frutificação de uma videira é bem interessante. Após a vindima (colheita da uva), vem o processo de poda dos ramos. Os ramos precisam ser podados, pois um ramo que já produziu uvas não produzirá mais.
Assim, precisa ser podado para que novos brotos surjam dos nós (chamados de gemas) da pequena parte do ramo que permaneceu.
Assim daquele pequeno ramo podado, saem vários rebentos (brotos) e mais ramos surgem, o que produzirá mais frutos ainda.
Todavia, há ramos que estão mortos (ou disfuncionais), cuja seiva da videira já não mais circula neles. Estes ramos mortos precisam ser cortados fora, pois já não servem mais para nada, além de ocupar espaço e absorver energia da videira.
Jesus disse através desta parábola que nossa principal função é produzir frutos e no momento em que não estamos mais produzindo frutos, significa que estamos desconectados da videira (mortos espiritualmente).
João 15:16a – “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça.”
PERGUNTAS: O que significa um povo missional?
Qual a diferença entre simplesmente ser enviado e ser enviado apostolicamente?
Como você se sente diante da parábola da Videira e dos Ramos?


